IFAM demite professor suspeito de assédio sexual contra alunas do Campus Manacapuru

A denúncia veio à tona após reportagem do The Intecept que apontou casos de assédio em Manacapuru e em pelo menos 6 municípios do interior do Estado.


#nahora

Por Érisson Araújo


O Instituto Federal do Amazonas publicou em Diário Oficial da União o desligamento dos professores envolvidos no caso mostrado pelo The Intercept sobre os supostos assédios contra estudantes, menores de idade. O professor Edivaldo Pereira Mota do Campus Manacapuru foi demitido do cargo. Ele era lotado como professor de Ensino, Básico Técnico e Tecnológico.



De acordo com a reportagem mostrada pelo The Intercept:

“O professor Edivaldo foi denunciado à direção do instituto por seis alunas, ele ficou afastado de maio a setembro e, agora, são as vítimas que deixam a sala nos horários em que ele dá aula, como me relatou a mãe de uma estudante.
Em uma denúncia registrada também no Conselho Tutelar da cidade, uma das vítimas disse que, no final de 2017, Mota passou a mandar mensagens para o seu celular tratando sobre assuntos escolares. Depois vieram os pedidos para marcar encontros, perguntas sobre virgindade, pedidos de fotos sensuais, conversas de cunho sexual e, por último, a tentativa de agarrar e de beijar a adolescente à força, dentro do carro dele. Na época, Mota era coordenador de um projeto de extensão do qual a adolescente fazia parte”. Explicou a reportagem assinada por Nayara Felizardo.

A denúncia contra o professor Edivaldo Mota, foi a porta de entrada para que outras alunas tivesse coragem e pele menos outros dois professores foram citados como autores de assédios no Campus Manacapuru.


“Danniel Rocha Bevilaqua, que leciona recursos pesqueiros, e Gilder Branches, de educação física. Uma das vítimas contou em depoimento que os professores faziam uma espécie de “rodízio” de assédio entre as alunas. Ao todo, nove adolescentes relataram assédio de algum deles à direção do instituto. Pelo menos quatro dizem que foram assediadas por dois professores ao mesmo tempo, e uma jovem diz ter sido vítima dos três professores.” Destacou a reportagem.

Edivaldo Mota já estava em novamente em sala de aula, já o outro denunciando Professor Daniel Bevilagua está em licença médica desde maio quando sofreu um acidente de trânsito, poucos dias após ter sido acusado.


“Ele se vale de uma cláusula da mesma lei que trata de processos administrativos que determina que um servidor não pode responder a um PAD enquanto estiver afastado por motivo de saúde. O último atestado entregue por Bevilaqua é válido até dezembro, e ele continua trabalhando nas pesquisas que desenvolve no laboratório do Instituto Nacional de Pesquisas do Amazonas." Aponta a reportagem

Apesar de ter sido denunciado formalmente à direção do instituto por assédio por duas alunas, Branches não está sendo investigado. Uma das vítimas relatou à diretoria do Ifam que ele a abordava nos corredores da escola convidando-a para se encontrarem num hotel. Constrangida, a aluna parou de ir às aulas de educação física, disciplina em que chegou a reprovar por faltas no primeiro bimestre deste ano.” Destacou o Intecerpt

À reportagem, Branches diz desconhecer as denúncias de assédio contra ele. Mota não respondeu e Bevilaqua reforçou que está de licença médica e pediu que eu entrasse em contato com a assessoria de comunicação do Ifam.


Ao todo pelo menos 30 alunas acusam professores da Instituição de assédio sexual, além dos casos de Manacapuru, tem casos em Maués, Coarí e Presidente Figueiredo e Manaus.


O que diz o Ifam

“Diante do aumento dos casos de assédio”, realiza desde 2017 campanhas anuais contra o assédio e abuso sexual e que todas as denúncias são investigadas. “As cidades onde o Ifam possui campus, via de regra, são pequenas, isoladas e de difícil acesso, sendo comum todos se conhecerem, além de serem parentes, sendo necessário o deslocamento de servidores de outros campi para apuração. No entanto, o Ifam vem tratando todos os casos denunciados garantindo a efetividade da prestação administrativa”.


O instituto informou ainda que sete servidores já foram demitidos “em virtude de tais comportamentos” e que não é possível fornecer mais dados sobre os casos em andamento pois se tratam de processos sigilosos. Segundo o Ifam, todos os casos em que são confirmados abuso ou assédio são encaminhados ao MPF e à Advocacia Geral da União.

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